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Infertilidade: Quais Tratamentos Existem e Quando Buscar Ajuda?

Casal em consulta sobre infertilidade e tratamentos para engravidar

Você decide que chegou a hora de tentar engravidar. No primeiro mês, a expectativa parece leve. No segundo, você começa a calcular melhor o período fértil. Depois vêm aplicativos, testes de ovulação, datas, sintomas observados com atenção e aquela sensação de que cada menstruação que chega traz uma pergunta nova: até quando é normal tentar antes de procurar ajuda?

Essa dúvida não tem uma única resposta para todas as mulheres. A idade muda o tempo de espera recomendado. Endometriose, ciclos muito irregulares, histórico de cirurgias, quimioterapia, alterações conhecidas no sêmen e outras situações podem justificar investigação mais cedo. E há um ponto importante desde o começo: dificuldade para engravidar não deve ser tratada automaticamente como um problema feminino.

Em poucas palavras: a infertilidade é definida pela Organização Mundial da Saúde como a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem contracepção. Porém, a avaliação não precisa esperar um ano em todas as situações. Diretrizes médicas recomendam encurtar esse intervalo a partir dos 35 anos e considerar investigação mais imediata depois dos 40 ou quando já existe um fator de risco conhecido.

Neste artigo especial do Entre a Mãe e a Mulher, além de explicar o que as principais diretrizes médicas dizem sobre investigação e tratamento, incorporamos respostas enviadas pelo ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Alfonso Massaguer, em pauta intermediada pela Ageimagem Comunicação Corporativa. O objetivo não é transformar esperança em promessa. É mostrar, com clareza, quais perguntas precisam ser feitas antes de alguém concluir que “não consegue engravidar” ou que “não existe mais caminho”.

Quanto tempo devo tentar engravidar antes de procurar ajuda?

A regra dos “12 meses” é útil, mas sozinha pode confundir. Ela descreve uma definição clínica de infertilidade; não significa que toda pessoa precise obrigatoriamente esperar exatamente um ano para conversar com um ginecologista ou especialista em reprodução humana.

A American Society for Reproductive Medicine (ASRM) orienta que, em mulheres com menos de 35 anos e sem fatores de risco conhecidos, a investigação geralmente seja iniciada após 12 meses de tentativas. A partir dos 35, o intervalo cai para cerca de seis meses. Acima dos 40, uma avaliação mais imediata pode ser apropriada. O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) segue uma lógica semelhante.

Situação Quando conversar sobre investigação Por que o tempo muda
Menos de 35 anos, sem fator de risco conhecido Em geral, depois de cerca de 12 meses de relações regulares sem contracepção Ainda há tempo para observar a chance de concepção espontânea antes de ampliar a investigação.
35 anos ou mais Em geral, depois de cerca de 6 meses A idade reprodutiva passa a ter maior peso e atrasar a avaliação pode reduzir opções em alguns casos.
Mais de 40 anos A conversa pode ser iniciada sem esperar vários meses O tempo passa a ser um fator clínico mais importante para diagnóstico e planejamento.
Endometriose, ciclos ausentes ou muito irregulares, tratamento oncológico, cirurgia pélvica, fator masculino conhecido ou outra condição relevante Pode haver indicação de avaliação antes desses prazos Já existe uma razão conhecida para não usar apenas o tempo de tentativa como critério.

Esses prazos também não devem virar uma fonte de ansiedade matemática. Uma mulher de 34 anos não precisa ignorar uma amenorreia prolongada porque “ainda não completou 12 meses”. Da mesma forma, uma mulher de 36 não recebeu um diagnóstico de infertilidade apenas porque chegou ao sexto mês. O prazo é uma referência para decidir quando vale acelerar a investigação, não uma sentença.

Uma pergunta mais útil do que “já esperei tempo suficiente?” pode ser: existe algo na minha idade, no meu ciclo, na minha história de saúde ou na história do meu parceiro que torne melhor investigar agora?

Infertilidade é comum — e não é a mesma coisa que esterilidade

A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva vivencie infertilidade em algum momento da vida. Isso ajuda a colocar o problema em perspectiva: não se trata de uma experiência rara ou restrita a um tipo de mulher, de casal ou de estilo de vida.

Também é importante separar dois termos que no cotidiano acabam usados como sinônimos. Infertilidade descreve dificuldade para conseguir uma gravidez dentro de um período definido. Ela não significa necessariamente impossibilidade absoluta de gestação. Em muitos casos há uma causa tratável; em outros, a gravidez pode acontecer espontaneamente; em outros ainda, a reprodução assistida pode ampliar possibilidades.

Mas isso não significa que todo quadro terá solução ou que todo tratamento terminará em nascimento. A medicina reprodutiva trabalha com probabilidades, resposta biológica, idade, qualidade dos gametas, condições uterinas, fatores masculinos e muitas outras variáveis. Essa diferença entre possibilidade e garantia precisa acompanhar o artigo inteiro.

Por que a idade pesa tanto quando a mulher tenta engravidar?

A idade feminina é um dos fatores mais importantes para a chance de concepção. Isso não acontece porque o organismo “desliga” de repente em um aniversário específico, mas porque o envelhecimento reprodutivo é progressivo.

Com o passar dos anos, diminui o número de óvulos disponíveis e aumenta a proporção de óvulos com alterações cromossômicas. Por isso, a chance de gravidez espontânea cai, enquanto o risco de perda gestacional tende a aumentar. A queda não é idêntica em todas as mulheres, mas se torna mais relevante na segunda metade dos 30 anos.

O ACOG informa que a fertilidade começa a cair a partir do início dos 30 e diminui mais rapidamente a partir de meados dessa década. A ASRM também destaca que a idade feminina é um dos principais preditores de fecundidade e deve influenciar a velocidade da investigação.

Mulher em avaliação de reserva ovariana com ultrassom para investigar fertilidade

“Tenho muitos óvulos” e “tenho boa chance de engravidar” não são a mesma frase

Essa é uma das confusões mais importantes para quem faz exames de reserva ovariana. O hormônio anti-mülleriano, conhecido como AMH, e a contagem de folículos antrais na ultrassonografia ajudam a estimar quantidade de folículos e resposta provável do ovário a uma estimulação. Eles não funcionam como um teste isolado capaz de dizer se uma mulher engravidará naturalmente.

A própria ASRM faz essa distinção: marcadores de reserva ovariana são úteis para estimar resposta e número de óvulos que podem ser obtidos em tratamento, mas têm capacidade limitada para prever potencial reprodutivo quando interpretados independentemente da idade.

Nas respostas encaminhadas ao blog, o Dr. Alfonso também destacou essa diferença ao comentar que mulheres com síndrome dos ovários policísticos podem chegar aos 40 anos mantendo muitos óvulos, sem que isso torne esses óvulos biologicamente mais jovens. A fala completa do especialista aparece na seção de entrevista mais adiante.

Esse ponto precisa ser entendido sem transformar a síndrome dos ovários policísticos em um diagnóstico de “baixa qualidade”. A ideia central é outra: ter muitos folículos não torna os óvulos biologicamente mais jovens. A idade continua sendo relevante. Ao mesmo tempo, uma mulher com SOP pode ter dificuldades específicas de ovulação que também precisam ser consideradas individualmente.

Gravidez de celebridades depois dos 40 pode passar uma mensagem incompleta

Notícias de gestações em idades mais avançadas podem ser inspiradoras, mas geralmente mostram apenas o resultado final. O público nem sempre sabe se houve gravidez espontânea, uso de óvulos congelados anos antes, fertilização in vitro, doação de óvulos ou outra estratégia.

Não é necessário — nem correto — especular sobre a história reprodutiva de uma pessoa específica. O ponto é compreender que uma foto de gravidez não revela todos os dados biológicos e médicos que vieram antes dela.

Nas respostas enviadas ao blog, o Dr. Alfonso chamou atenção justamente para o risco de exemplos públicos criarem a impressão de que a fertilidade permanece ótima em idades mais avançadas. A formulação literal do especialista está reproduzida na seção de entrevista.

Informar sobre idade reprodutiva não deve servir para pressionar mulheres a engravidar cedo. Deve servir para que quem deseja filhos no futuro consiga planejar com uma informação que, durante muito tempo, quase sempre aparecia apenas depois de meses de tentativas frustradas.

A dificuldade para engravidar pode estar na mulher, no homem, nos dois — ou não ter causa aparente

Uma investigação bem conduzida evita que a mulher faça uma sequência longa de exames enquanto o parceiro só é avaliado no fim. A Febrasgo reforça a importância de investigar o casal, porque fatores masculinos podem participar de forma isolada ou associada em parcela relevante dos casos.

Casal diante de teste de gravidez durante tentativas para engravidar

Isso muda a ordem prática do raciocínio. Em vez de perguntar apenas “o que há de errado comigo?”, a avaliação tenta responder perguntas paralelas: há ovulação? As trompas permitem o encontro entre óvulo e espermatozoide? O útero apresenta alguma alteração relevante? Como está o sêmen? Existe uma condição conhecida, como endometriose? Há uso de medicamento ou tratamento anterior que possa influenciar fertilidade?

O primeiro passo costuma ser uma boa história clínica, não uma bateria aleatória de exames

Antes de pedir testes, o profissional costuma revisar idade, duração das tentativas, frequência das relações, padrão menstrual, gestações anteriores, perdas gestacionais, cirurgias, infecções, doenças crônicas, histórico oncológico, medicamentos, tabagismo e outros aspectos que podem direcionar a investigação.

Em mulheres com ciclos regulares entre aproximadamente 21 e 35 dias, a ASRM informa que nem sempre é necessário acrescentar testes apenas para “provar” que houve ovulação, salvo situações específicas. Já ciclos muito espaçados, ausência de menstruação ou sinais de alterações hormonais mudam o raciocínio.

As trompas e a cavidade uterina também entram na investigação

A fecundação costuma ocorrer na trompa. Por isso, quando há suspeita ou necessidade clínica, exames podem avaliar se as trompas estão pérvias. Alterações uterinas — como alguns pólipos, miomas que deformam a cavidade, aderências ou malformações — também podem ter importância conforme localização e contexto.

Isso não significa que toda pessoa que começa uma investigação precise realizar todos os exames disponíveis. A avaliação deve ser direcionada. Exames mais invasivos ou testes de pouca utilidade não deveriam ser solicitados apenas para “não deixar nada de fora”.

O espermograma não deve ficar para o final

Quando existe parceiro masculino, o espermograma é uma ferramenta básica porque analisa características como concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Um resultado alterado pode precisar ser repetido ou aprofundado, e um resultado isolado também não resume toda a fertilidade masculina.

Em algumas situações, a avaliação pode envolver urologista, exames hormonais ou investigação de condições como varicocele. O importante é não transformar infertilidade em sinônimo de “problema do ovário”.

Não use suplementos, hormônios ou “indutores de ovulação” por conta própria. Medicamentos usados em reprodução podem alterar a resposta ovariana e aumentar riscos, inclusive de gestação múltipla ou hiperestimulação em situações específicas. A indicação depende da causa e precisa de acompanhamento.

Quais causas podem aparecer na investigação da infertilidade feminina?

Não existe uma lista capaz de diagnosticar alguém pela internet. Ainda assim, algumas categorias aparecem com frequência na prática clínica e ajudam a entender por que tratamentos diferentes são escolhidos para pessoas diferentes.

Alterações da ovulação

Síndrome dos ovários policísticos, alterações do eixo hormonal e outras condições podem tornar a ovulação irregular ou ausente.

Fatores tubários

Obstruções ou danos nas trompas podem dificultar o encontro entre óvulo e espermatozoide.

Endometriose

Pode interferir na anatomia pélvica, inflamação, função tubária e outros mecanismos relacionados à fertilidade.

Idade e reserva ovariana

Quantidade e qualidade dos óvulos diminuem com o tempo, mas não necessariamente no mesmo ritmo em todas as mulheres.

Alterações uterinas

Algumas condições da cavidade uterina podem atrapalhar implantação ou aumentar risco de perda, dependendo do caso.

Quando nenhuma causa aparece nos exames

Mesmo após uma avaliação adequada, pode não surgir uma explicação única. Isso é chamado de infertilidade sem causa aparente e não significa que a dificuldade seja imaginária.

Há ainda fatores masculinos, causas combinadas e situações em que a fertilidade foi afetada por tratamento oncológico, cirurgias, infecções ou outras condições. Por isso, “qual é o melhor tratamento?” só pode ser respondido depois de “qual problema estamos tentando tratar?”.

Quais tratamentos existem para infertilidade?

Tratamento de infertilidade não é sinônimo de fertilização in vitro. A escolha depende da causa, da idade, do tempo de tentativa, da reserva ovariana, do sêmen, da anatomia das trompas, do histórico reprodutivo, de tratamentos anteriores, de preferências pessoais e do prognóstico discutido com a equipe.

Em 2025, a OMS publicou sua primeira diretriz global para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade. A proposta reforça uma abordagem progressiva e baseada em evidências, evitando tanto atrasos desnecessários quanto intervenções mais complexas sem indicação.

Estratégia O que acontece Quando pode entrar na conversa
Tratamento da causa Cuida de alterações identificadas, como alguns distúrbios de ovulação ou condições anatômicas específicas. Quando existe um fator tratável capaz de mudar a chance de gravidez ou a segurança da gestação.
Indução da ovulação / relação programada O ciclo é acompanhado e, em casos selecionados, medicamentos estimulam ou organizam a ovulação. Pode ser considerada em alguns distúrbios ovulatórios ou situações de menor complexidade.
Inseminação intrauterina Espermatozoides preparados em laboratório são colocados no útero próximo ao período de ovulação. Pode ser usada em cenários específicos, desde que trompas e outros fatores permitam.
Fertilização in vitro (FIV) Óvulos são coletados após estimulação, fecundados em laboratório e o embrião é posteriormente transferido. Pode ser indicada em fatores tubários, idade, alguns fatores masculinos, falha de estratégias anteriores e outras situações.
ICSI Um espermatozoide é introduzido diretamente no óvulo em laboratório como parte de um ciclo de FIV. É especialmente útil em determinados fatores masculinos ou situações laboratoriais; não é sinônimo de FIV em todos os casos.
Gametas ou embriões doados Óvulos, espermatozoides ou embriões de doação podem ser utilizados conforme indicação e regras éticas vigentes. Podem ampliar possibilidades quando gametas próprios não oferecem chance adequada ou em outros projetos parentais.
Embriologista em laboratório de fertilização in vitro durante tratamento de infertilidade

FIV pode ser uma ferramenta poderosa, mas não apaga a idade dos óvulos

Na fertilização in vitro, a ciência consegue controlar etapas que não são controladas em uma tentativa espontânea: estimular os ovários, coletar óvulos, realizar a fecundação em laboratório, observar o desenvolvimento embrionário e transferir um embrião ao útero.

Isso aumenta possibilidades em muitos diagnósticos, mas não transforma um óvulo de 42 anos em um óvulo de 30. A tecnologia pode ajudar a selecionar caminhos e contornar barreiras específicas, mas não elimina todas as limitações biológicas.

É justamente por isso que taxas de sucesso não devem ser apresentadas sem idade, diagnóstico, tipo de tratamento e definição do desfecho. “Taxa de gravidez” pode significar algo diferente de “nascimento de bebê vivo”, e clínicas diferentes atendem perfis diferentes de pacientes.

Se a gravidez acontecer e a dúvida passar a ser “será que esse atraso já significa gestação?”, o blog tem um conteúdo específico sobre como saber se está grávida, primeiros sintomas e quando fazer o teste.

Congelar óvulos preserva uma possibilidade — não uma garantia

O congelamento planejado de óvulos permite preservar óvulos na idade em que foram coletados. Isso pode ser relevante para uma mulher que deseja adiar a maternidade ou para alguém que enfrentará um tratamento com risco para a fertilidade.

Mas o procedimento não deveria ser vendido como “seguro de bebê”. A ASRM orienta que pessoas interessadas sejam informadas sobre eficácia, riscos, custos, incertezas e resultados específicos do serviço. A chance futura depende, entre outros fatores, da idade no congelamento e do número de óvulos disponíveis depois do descongelamento e das etapas subsequentes.

Também é importante não usar AMH como uma espécie de cronômetro individual. Uma mulher pode ter AMH relativamente alto e ainda assim estar sujeita ao efeito da idade sobre a qualidade dos óvulos. Outra pode ter AMH baixo e ainda engravidar espontaneamente. O exame responde melhor à pergunta “como o ovário pode responder à estimulação?” do que à pergunta “vou engravidar naturalmente?”.

Planejamento reprodutivo não significa decidir hoje se você terá filhos. Significa compreender o que muda com o tempo para poder decidir com mais informação.

Criopreservação de óvulos em laboratório para preservação da fertilidade

Entrevista especial: Dr. Alfonso Massaguer responde sobre infertilidade

Dr. Alfonso Massaguer especialista em reprodução humana

Foto de divulgação encaminhada pela Ageimagem.

Especialista ouvido na reportagem

Dr. Alfonso Massaguer

CRM 97.335 | RQE 42794

Segundo a apresentação profissional encaminhada pela Ageimagem, o Dr. Alfonso Massaguer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ginecologista e obstetra pelo Hospital das Clínicas e atua há mais de duas décadas em Reprodução Humana. É diretor clínico da MÃE (Medicina de Atendimento Especializado), especializada em reprodução assistida, e diretor técnico da Clínica Engravida.

Foi professor responsável pelo curso de Reprodução Humana da FMU por seis anos, é membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), da American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e de sociedades catalãs de ginecologia e obstetrícia. Também é autor de capítulos de livros nas áreas de ginecologia, obstetrícia e reprodução humana e possui passagens por centros na Espanha e no Canadá.

Conhecer o site profissional do Dr. Alfonso Massaguer · Entrevista intermediada pela Ageimagem Comunicação Corporativa.

Para esta reportagem, o Entre a Mãe e a Mulher encaminhou dúvidas ao Dr. Alfonso Massaguer sobre quando procurar ajuda, tratamentos, idade reprodutiva, hábitos que merecem atenção, mitos e o impacto emocional da infertilidade. A seguir estão as sete perguntas respondidas pelo especialista.

As respostas são apresentadas conforme encaminhadas pela assessoria, organizadas apenas em parágrafos para facilitar a leitura. Quando uma fala exige uma ressalva médica ou uma distinção entre experiência clínica e recomendação geral, a reportagem acrescenta uma nota editorial claramente separada.

Pergunta 1

Para uma mulher ou casal que está tentando engravidar, qual é o principal sinal de que chegou a hora de procurar avaliação médica, em vez de continuar apenas tentando naturalmente?

Dr. Alfonso Massaguer:

Se o casal já souber da existência de alguma alteração que possa dificultar a gravidez — por exemplo, se a mulher não menstrua, se o homem tem varicocele ou já apresenta alguma alteração no sêmen —, não é necessário esperar para procurar ajuda médica.

Quando não existe nenhuma alteração conhecida, a orientação varia de acordo com a idade da mulher. Até os 35 anos, o casal pode tentar engravidar naturalmente por até 12 meses antes de procurar um especialista. Dos 35 aos 39 anos, recomenda-se buscar avaliação após seis meses de tentativas sem sucesso. A partir dos 40 anos, o ideal é procurar auxílio médico imediatamente.

Isso acontece porque, principalmente para a mulher, o tempo é um fator muito importante. Com o avanço da idade, ocorre uma redução progressiva tanto da quantidade quanto da qualidade dos óvulos, o que pode diminuir as chances de uma gravidez natural e também influenciar os tratamentos de reprodução assistida.

Pergunta 2

É conhecida a orientação de investigar após 12 meses de tentativas em mulheres com menos de 35 anos e após 6 meses a partir dos 35. Em quais situações o casal não deve esperar esse prazo e deveria procurar um especialista antes?

Dr. Alfonso Massaguer:

O casal não deve esperar para procurar ajuda quando a mulher tem 40 anos ou mais. Nessa faixa etária, a recomendação é buscar imediatamente um serviço médico especializado em reprodução humana.

Também é importante procurar avaliação o quanto antes quando já existe alguma alteração conhecida que possa comprometer a fertilidade. É o caso, por exemplo, de mulheres que não menstruam, homens que já sabem que possuem alguma alteração na fertilidade, pessoas com histórico familiar de menopausa precoce ou que tenham realizado tratamentos, como a quimioterapia, que podem colocar a fertilidade em risco.

Nessas situações, a orientação é procurar um especialista assim que houver o desejo de engravidar. Essa avaliação precoce também é importante para quem ainda não pretende ter filhos, mas apresenta algum fator de risco e deseja conhecer as possibilidades de preservação da fertilidade.

Pergunta 3

Procurar um especialista em reprodução humana significa necessariamente que o casal terá de fazer fertilização in vitro? Quais possibilidades podem existir antes de chegar à FIV?

Dr. Alfonso Massaguer:

É um grande erro achar que, ao procurar um especialista em reprodução humana, necessariamente será preciso fazer uma fertilização in vitro. Para a maioria dos casais, a FIV não é necessária.

A nossa obrigação é investigar e identificar a causa da dificuldade para engravidar e, sempre que possível, tratá-la para que a gestação aconteça da maneira mais simples e menos onerosa, que é naturalmente, com relações sexuais em casa.

Para muitos casais, isso é possível. Podemos, por exemplo, identificar um pólipo ou um mioma e realizar o tratamento ou a cirurgia necessária. Em outros casos, basta induzir a ovulação, corrigir alguma alteração hormonal ou até orientar e acompanhar a perda de peso. Algumas mulheres conseguem engravidar após essas medidas mais simples.

Existem ainda tratamentos intermediários, como a inseminação artificial, na qual o sêmen é preparado e concentrado para ser colocado diretamente dentro do útero durante o período fértil. É uma alternativa que pode ser indicada para determinados casais.

Em outras situações, uma cirurgia, inclusive para o tratamento da endometriose, pode ajudar a restabelecer a fertilidade e possibilitar uma gravidez.

Portanto, existem diferentes possibilidades de tratamento, desde abordagens mais simples até técnicas de reprodução assistida. A escolha depende da causa da infertilidade e das características de cada paciente e de cada casal. A fertilização in vitro é uma excelente alternativa, mas é indicada apenas para os casos em que realmente há necessidade.

Nota editorial: a indicação de cirurgia, indução de ovulação, inseminação ou FIV depende do diagnóstico, da idade, do tempo de infertilidade, do prognóstico e das preferências da pessoa ou do casal. Nenhuma dessas opções é uma etapa obrigatória para todos.

Pergunta 4

A idade feminina é um fator importante para a fertilidade, mas muitas mulheres ficam com dúvidas sobre o que realmente muda depois dos 35 e dos 40 anos. O que acontece biologicamente e por que o tempo passa a ter mais peso na decisão de investigar?

Dr. Alfonso Massaguer:

A idade é o fator mais importante para o resultado de uma fertilização in vitro. No final das contas, na FIV, nós trabalhamos com a matéria-prima disponível. Se essa matéria-prima tem boa qualidade, as chances de obter um resultado positivo são maiores. Quando a qualidade é baixa, o tratamento tende a enfrentar mais dificuldades.

Com o avanço da idade, principalmente após os 40 anos, as taxas de sucesso da fertilização in vitro caem significativamente. Isso acontece porque os óvulos da mulher diminuem tanto em quantidade quanto em qualidade. Mesmo quando conseguimos obter um bom número de óvulos, muitos deles podem apresentar alterações cromossômicas e, consequentemente, resultar em embriões também alterados, reduzindo as chances de uma gravidez bem-sucedida.

Por isso, é tão importante que a mulher que pretende adiar a maternidade para depois dos 35 anos, especialmente para uma idade próxima aos 40, considere o congelamento de óvulos. Essa é uma estratégia de preservação da fertilidade que pode aumentar suas possibilidades reprodutivas no futuro.

Nota editorial: congelamento de óvulos pode ampliar possibilidades futuras, mas não garante gravidez ou nascimento. A idade no momento da coleta é um dos fatores mais importantes para o prognóstico.

Pergunta 5

Há hábitos ou condições de saúde que podem interferir na fertilidade de mulheres e homens e que realmente merecem atenção antes ou durante a investigação? Quais cuidados têm evidência e quais recomendações populares costumam ser exageradas ou sem comprovação?

Dr. Alfonso Massaguer:

É claro que vale ressaltar que mulheres que usam pílula anticoncepcional há muito tempo podem ter sintomas de menopausa precoce ou de ovário policístico escondidos pela pílula.

Então, é prudente que uma mulher que tome pílula há muito tempo faça algumas pausas de tempos em tempos, a cada um ou dois anos, para verificar como está a menstruação. Também é importante fazer um ultrassom para avaliar, pelo menos, se os ovários apresentam um bom aspecto e possuem folículos. Essa é uma dica importante.

Também é necessário ressaltar o uso de anabolizantes, ou seja, qualquer medicamento utilizado para ficar forte. Muitas vezes, a pessoa nem sabe que está tomando anabolizante, pois a substância pode estar presente nesses suplementos.

O anabolizante bloqueia os ovários ou os testículos e, com isso, pode prejudicar muito a fertilidade, inclusive a médio e longo prazo. Portanto, o uso de anabolizantes é outro ponto muito importante.

É claro que a liberação sexual foi algo muito importante para o mundo moderno, mas também trouxe um aumento das infecções. Por isso, quando a mulher apresentar alguma secreção vaginal alterada ou sentir dor, é importante procurar um médico para tratar precocemente uma possível infecção e evitar lesões nas trompas.

Também é necessário avaliar alterações na menstruação. Se a menstruação estiver atrasada, alterada, com fluxo muito intenso ou acompanhada de dor, é preciso investigar. Se existe uma dor cuja causa ainda não foi identificada, é importante manter a calma e buscar o diagnóstico, porque, muitas vezes, existe um problema que pode piorar caso não seja tratado.

Esse seria um resumo.

Com relação às crendices, existem muitas. Uma delas está relacionada à posição durante a relação sexual. Acreditar que existe uma posição específica para engravidar é uma crendice. A mulher pode engravidar em qualquer posição.

Outro mito é acreditar que apenas a mulher é responsável pela infertilidade. É claro que isso não é verdade.

Também existe a crença de que a mulher engravida após a ovulação. Na verdade, depois da ovulação, dificilmente ocorrerá uma gravidez. O período de maior possibilidade acontece nos dias anteriores à ovulação e no próprio dia da ovulação.

Existem vários outros mitos, mas não me lembro de todos agora. Podem me perguntar sobre alguns deles. De maneira geral, não existe uma posição específica para ter relações sexuais com o objetivo de engravidar. A posição não faz diferença.

Outra crendice muito equivocada é acreditar que uma mulher, mesmo após a menopausa, pode engravidar normalmente. Isso também é um mito.

Nota editorial importante: a recomendação de fazer pausas periódicas na pílula não é uma orientação universal. Anticoncepcionais hormonais não devem ser interrompidos apenas para “testar” a fertilidade sem orientação do ginecologista. Durante o uso, o método pode modificar ou suprimir o padrão natural do ciclo; a decisão de pausar, trocar ou suspender deve ser individualizada.

Testosterona exógena e esteroides anabolizantes podem prejudicar a função reprodutiva, especialmente a produção de espermatozoides. Isso não significa que suplementos comuns contenham anabolizantes: leia o rótulo, verifique a procedência e evite produtos com composição duvidosa ou substâncias hormonais não declaradas.

Infecções sexualmente transmissíveis não tratadas também podem afetar a fertilidade. O risco está relacionado à exposição, à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento — não a julgamentos sobre comportamento sexual.

A janela fértil inclui os dias anteriores e o dia da ovulação; posições sexuais específicas e rotinas depois da relação não demonstraram aumentar a fertilidade.

Pergunta 6

Entre os pacientes que chegam ao consultório, qual é o mito sobre infertilidade que o senhor mais gostaria de corrigir?

Dr. Alfonso Massaguer:

Atualmente, acho que um mito que chega muito e que a gente precisa corrigir é esse mito da mulher estar ali com seus 45 ou 46 anos. Obviamente, as mulheres se cuidam muito, então são mulheres muito bonitas, que estão ali maravilhosas e, talvez, na melhor fase da vida delas.

Como tivemos muitas artistas e mulheres que engravidaram nessa idade, muitas vezes elas falam que engravidaram naturalmente, sem congelar óvulos e com óvulos próprios. Mas isso é um mito.

É importante lembrar que, após os 45 ou 46 anos, a taxa de gravidez, mesmo com tratamento, cai muito, muito, muito, chegando a um número menor que 1% após os 46 anos.

O que acontece é que muitas mulheres utilizam óvulos doados. Obviamente, quem usa óvulos doados geralmente não fala que utilizou esse recurso. E é claro que também não precisa falar, para não gerar um estigma sobre a criança.

O problema é que isso gera nas mulheres uma falsa ideia de que elas ainda têm uma ótima fertilidade, quando, muitas vezes, não têm.

Da mesma maneira, mulheres que têm ovário policístico, quando chegam aos 40 anos, podem continuar tendo muitos óvulos. No entanto, esses óvulos também podem apresentar baixa qualidade. Por isso, a taxa de gravidez continua sendo baixa, como normalmente ocorre após os 40 anos.

Por esse motivo, falar sobre congelamento de óvulos e preservação da fertilidade é tão importante.

Nota editorial: não é possível presumir como ocorreu a gravidez de uma pessoa específica. A taxa citada pelo especialista não deve ser lida como um número universal: resultados variam conforme idade, uso de óvulos próprios ou doados, diagnóstico, técnica e desfecho medido. O ACOG destaca que, aos 45 anos, a gravidez natural já é improvável.

Pergunta 7

Qual mensagem o senhor daria para uma mulher ou casal que está há meses tentando engravidar, está ansioso com a possibilidade de infertilidade, mas ainda tem receio ou vergonha de procurar ajuda?

Dr. Alfonso Massaguer:

Acho que a informação é sempre importante, né? Mesmo o nosso livro, “À Espera”, é uma leitura que pode ser interessante. Também, se as pessoas quiserem ligar, a gente pode até dar o livro para os dez primeiros que ligarem para a gente. Podemos combinar isso.

Então, é importante buscar informação, ler a respeito e saber que não existe situação impossível. Não existe. Se você quiser um bebê, ele sempre vai chegar. E, muitas vezes, ele chega de uma maneira muito mais fácil do que você imagina.

É claro que as histórias normalmente são contadas por quem teve mais dificuldade, porque são as histórias mais interessantes. Mas muita gente engravida de forma muito mais fácil do que imagina.

O importante é se prevenir. A base para conseguirmos um bom resultado é ter um óvulo de boa qualidade. Portanto, não deixe para ter filhos muito tarde sem ter congelado óvulos, especialmente considerando a idade da mulher.

Essa é a nossa pedra fundamental: saber que quem luta consegue. Todo mundo que eu vi lutando e perseverando conseguiu.

Nota editorial: a mensagem de esperança não deve ser entendida como promessa médica. Nem toda pessoa conseguirá uma gravidez ou um nascimento, mesmo com tratamento. Procurar ajuda serve para conhecer possibilidades, limites e escolhas — e não para medir quem “tentou o suficiente”.

As respostas do Dr. Alfonso acrescentam experiência clínica e uma leitura humana do problema. Elas não substituem avaliação individual nem as diretrizes independentes utilizadas no restante da reportagem.

Quando a gravidez com óvulos próprios fica difícil, ainda podem existir outros caminhos

Uma das partes mais delicadas da reprodução humana é reconhecer que, em alguns casos, insistir exatamente na mesma estratégia não aumenta a chance de resultado. Às vezes o tratamento muda. Em outras situações, o próprio projeto de parentalidade é revisto.

Dentro da reprodução assistida, podem entrar na conversa, conforme indicação e regras aplicáveis, a doação de óvulos, a doação de espermatozoides, a doação de embriões, a gestação compartilhada em casais de mulheres e, em situações previstas pelas normas brasileiras, a cessão temporária de útero.

A Resolução CFM nº 2.320/2022 prevê o uso de técnicas de reprodução assistida para doação e preservação de gametas, embriões e tecidos germinativos por razões médicas e não médicas, estabelece consentimento informado e disciplina doação de gametas e embriões. Também prevê que pessoas capazes, dentro dos limites éticos da resolução, possam ser receptoras das técnicas.

Isso não significa que todas as alternativas sejam adequadas para toda pessoa. Existe uma diferença profunda entre perguntar “o que tecnicamente pode ser feito?” e perguntar “qual caminho faz sentido para mim, com meus valores, meu corpo, meu prognóstico e meus limites?”.

Doação de óvulos não é “fracasso” do tratamento

Para algumas mulheres, a chance de gravidez com óvulos próprios se torna muito baixa, enquanto a possibilidade com óvulos doados pode ser diferente. Essa transição costuma envolver uma decisão que vai muito além da técnica, porque toca no vínculo genético imaginado para aquele filho.

Uma abordagem humana não reduz essa decisão a uma frase como “é só usar óvulo doado”. Pode existir luto, ambivalência, medo de contar à criança, preocupação com identidade e necessidade de tempo para elaborar o que mudou.

O papel da equipe é explicar possibilidades e limites sem empurrar uma escolha. Esperança não deveria significar pressão para continuar tentando indefinidamente.

Casal refletindo sobre caminhos após diagnóstico e tratamento de infertilidade

Quando o “impossível” muda de significado

Na conversa com o blog, a mensagem final do Dr. Alfonso foi de esperança e perseverança. Esse tipo de encorajamento pode ser valioso quando ajuda alguém a vencer o medo de procurar informação, pedir uma segunda avaliação ou conhecer alternativas que ainda não tinha considerado.

Mas ela precisa de uma tradução responsável: na medicina, esperança não é garantia. Existem casos em que um tratamento não funciona. Existem mulheres que decidem parar. Existem casais que chegam a um limite financeiro, físico ou emocional. E existem situações em que a gravidez desejada não acontecerá, mesmo com tecnologia avançada.

O humanismo começa justamente quando não transformamos essas pessoas em histórias de “quem não tentou o suficiente”.

Às vezes, o que muda não é o diagnóstico. É o significado de formar uma família.

Para algumas pessoas, esse caminho pode incluir gametas doados ou embriões doados. Para outras, pode existir a possibilidade de adoção. Para outras, o caminho será encerrar tratamentos e reconstruir o projeto de vida sem filhos. Nenhuma dessas decisões deveria ser apresentada como obrigação moral ou como prova de perseverança.

Adoção não é tratamento para infertilidade

A adoção pode fazer parte da história de pessoas que também viveram infertilidade, mas é importante não colocá-la no mesmo quadro de FIV, inseminação ou doação de óvulos. Ela não é técnica médica, não “cura” infertilidade e não existe para substituir automaticamente o filho biológico que não veio.

No Brasil, a adoção é um processo jurídico centrado no direito da criança e do adolescente à convivência familiar. O Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça, organiza informações sobre crianças, adolescentes e pretendentes habilitados.

Por isso, quando a adoção surge depois de uma longa jornada reprodutiva, faz sentido existir espaço para elaborar o luto pela gravidez ou pelo vínculo genético imaginado. Uma criança adotada não deve receber a tarefa de reparar um tratamento que falhou. Ela chega com sua própria história, necessidades e direitos.

Ao mesmo tempo, reduzir adoção a “plano B” também apaga famílias reais e vínculos reais. Para quem genuinamente deseja esse caminho, ela pode representar uma forma completa e legítima de parentalidade — não uma imitação da gestação.

Talvez a frase mais honesta seja: nem sempre existe uma forma de tornar possível exatamente aquilo que foi imaginado no início. Mas pode existir mais de um caminho para construir uma vida com sentido, e algumas pessoas também encontrarão mais de um caminho para exercer a maternidade ou a paternidade.

Casal com bebê representando diferentes caminhos para construir uma família

Como saber se está na hora de procurar um especialista em reprodução humana?

Você não precisa chegar à consulta com um diagnóstico pronto. O momento costuma ficar mais claro quando uma ou mais destas situações aparecem:

  • você tem menos de 35 anos e está tentando há cerca de um ano sem gravidez;
  • tem 35 anos ou mais e as tentativas chegaram a aproximadamente seis meses;
  • tem mais de 40 anos e deseja engravidar;
  • seus ciclos são muito irregulares ou você passa meses sem menstruar;
  • há endometriose conhecida ou suspeita importante;
  • houve cirurgia pélvica, gravidez ectópica, infecção que possa ter comprometido trompas ou outro fator anatômico;
  • você fará ou fez tratamento que pode afetar a fertilidade, como determinadas quimioterapias;
  • já existe alteração conhecida no sêmen;
  • há perdas gestacionais recorrentes ou outra condição que exija avaliação específica;
  • você não quer engravidar agora, mas deseja discutir preservação de fertilidade com base em idade e planos reprodutivos.

Conversar com um especialista antes de “cumprir prazo” não obriga ninguém a iniciar FIV. Em muitos casos, a primeira consulta serve justamente para decidir se vale investigar, esperar, preservar fertilidade ou apenas acompanhar.

Perguntas frequentes sobre infertilidade

As dúvidas abaixo reúnem pesquisas comuns de quem está tentando engravidar e ajudam a separar conceitos que frequentemente aparecem misturados.

Infertilidade tem sintomas?

Muitas vezes, o principal sinal é simplesmente a gravidez não acontecer após um período de tentativas. Algumas causas podem dar pistas, como ciclos muito irregulares, ausência de menstruação, dor pélvica importante ou sintomas de endometriose, mas também é possível haver infertilidade sem sintomas claros.

Quem menstrua todo mês pode ser infértil?

Sim. Ciclos regulares sugerem que a ovulação provavelmente ocorre na maioria dos meses, mas não avaliam qualidade dos óvulos, trompas, útero, sêmen nem todas as outras etapas necessárias para uma gravidez.

AMH baixo significa que não vou engravidar?

Não. O hormônio anti-mülleriano ajuda a estimar reserva ovariana e resposta à estimulação, mas não é um teste isolado de fertilidade natural. A idade e o contexto clínico continuam essenciais para interpretar o resultado.

AMH alto significa que minha fertilidade está ótima?

Também não. Um AMH mais alto pode estar relacionado a maior quantidade de folículos, inclusive em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Isso não permite concluir que a qualidade dos óvulos seja alta ou que a chance de gravidez seja garantida.

Depois dos 40 ainda é possível engravidar naturalmente?

É possível, mas a chance por ciclo é menor e o tempo passa a ter maior importância clínica. Por isso, diretrizes recomendam não esperar longos períodos para buscar avaliação nessa faixa etária.

FIV garante gravidez?

Não. A FIV pode aumentar possibilidades e contornar algumas causas de infertilidade, mas não garante implantação, evolução da gestação ou nascimento. Idade, diagnóstico, qualidade dos gametas e embriões, resposta ao tratamento e outros fatores influenciam o resultado.

Congelar óvulos garante que vou conseguir ter filhos depois?

Não. O congelamento preserva óvulos na idade em que foram coletados, mas o resultado futuro depende da quantidade disponível, sobrevivência ao descongelamento, fecundação, desenvolvimento embrionário, transferência e outras etapas. Deve ser apresentado como possibilidade, não como promessa.

O homem também precisa fazer exames?

Quando há parceiro masculino, sim: a avaliação deve ocorrer em paralelo. O espermograma costuma fazer parte da investigação inicial, e outros exames podem ser indicados conforme o resultado e a história clínica.

Se nenhum exame encontra a causa, significa que não há problema?

Não. Existe a chamada infertilidade sem causa aparente, quando a avaliação padrão não identifica uma explicação única. Isso não torna a dificuldade imaginária e não impede que estratégias de tratamento sejam discutidas conforme idade, tempo de infertilidade e prognóstico.

Posso procurar um especialista mesmo antes de começar a tentar?

Sim, especialmente para planejamento reprodutivo. Uma consulta pode ajudar a discutir idade, histórico familiar, condições médicas, medicamentos, tratamentos que podem afetar a fertilidade e se preservação de óvulos faz ou não sentido no seu caso.

O que vale levar desta reportagem

A dificuldade para engravidar costuma começar muito antes de uma clínica de reprodução assistida, na repetição de expectativas e testes negativos. Saber quando procurar ajuda já faz parte do cuidado.

Como referência geral, antes dos 35 anos costuma-se investigar após cerca de um ano de tentativas; a partir dos 35, após aproximadamente seis meses. Depois dos 40 ou diante de fatores de risco, a avaliação pode ser antecipada.

Reserva ovariana e qualidade dos óvulos não são sinônimos. A infertilidade pode envolver fatores femininos, masculinos ou combinados, e a FIV é uma possibilidade importante, não uma resposta automática para todos.

Informação sobre fertilidade também não deve virar culpa por ter estudado, trabalhado, esperado um relacionamento ou simplesmente não estar pronta antes. Sua função é ampliar escolhas, não julgar decisões passadas.

Quando a medicina encontra limites, ainda podem existir decisões dentro ou fora da reprodução assistida, inclusive adoção ou encerramento dos tratamentos. Nenhum desses caminhos precisa ser diminuído para valorizar outro.

Aviso de saúde: este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui consulta, avaliação de fertilidade, diagnóstico, prescrição ou indicação individual de tratamento. Procure atendimento profissional se você tem dificuldade para engravidar, ciclos muito irregulares, dor pélvica importante, histórico que possa afetar a fertilidade ou dúvidas sobre preservação reprodutiva. Não interrompa anticoncepcionais, hormônios ou medicamentos de uso contínuo por conta própria. Tratamentos de reprodução assistida e medicamentos para indução de ovulação exigem acompanhamento médico. Ao usar suplementos, leia o rótulo e a composição e evite produtos de procedência duvidosa ou com substâncias hormonais não declaradas.

Fontes confiáveis e leituras consultadas

Os links externos abaixo foram concentrados no final para que a leitura do artigo não seja interrompida. As informações médicas do texto foram reescritas de forma original e contextualizadas para o público do blog.

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